quarta-feira, 29 de julho de 2015


  Cartas a Théo é um marco na minha vida, a grandeza das palavras e a sabedoria me inundou, mostrando todo um outro lado do pintor...
mas o fato de você ler só as de Vincent sem saber as respostas do irmão, um ser e o oco\eco, me instigou a criar várias performances. 
Nesta dou ênfase à esperança, teimosia e persistência do pintor, traduzo os movimentos das telas para criar a linguagem da Dança.


No texto selecionei cartas sobre a afirmação da sua identidade  e força artística, dei uma leveza mais espontânea ao personagem que é carregado de clichês de louco\suicida.
Van Gogh by Ia/ desconstrução nasce justamente do processo em que o artista se confronta com as regras impostas pelo mundo que tentam destruir as bases fortes de sua arte. Sendo assim, temos um personagem repleto de paixão, oscilando entre a sua verdade e as conformações. Um anônimo que dança para levantar a poeira do mundo, acostumado com cores sombrias, e que aos poucos vai retirando de si, outras possibilidades, a das cores quentes, a do Calor Humano.
No cenário, a pobreza. Na iluminação estática, o mundo sombrio. O figurino, cores e truques, mostram o artista isento de qualquer apoio externo, tirando de si toda a movimentação e magia que representa o pintor no mundo
dos quadros.





"Esse mundo é um estudo que não deu certo."



“Pois bem em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão naufragou." 



"Quando sinto uma terrível necessidade de religião, saio à noite para pintar as estrelas."  


  
  "recitem o que quiserem sobre a técnica , com palavras de fariseus, vazias e hipócritas, o verdadeiro artista deixa-se guiar por essa consciência que chamamos sentimento."

" Faz parte do ato de criar. De fazer. É uma mistura de razão e sensibilidade.Mesmo que você não saiba pintar e desenhar não terá importância. Esqueça técnicas, mestres, crítica, timidez, falta de capacidade, etc. O que importa Théo, é que você vai viajar para dentro de você. Apenas faça e divirta-se."




                "Quem não é senhor do próprio pensamento não é senhor de suas ações.



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Novo Corpo Amoroso.

... logo depois que recitei Lispector no Dominicaos &Migracielo se aproximou e me convidou  para interpretar seu livro me entregando uma página solta. Gamei! Fiquei lendo o fragmento de algo que parecia infinito, sem ideia de por onde começar\era uma folha + 15 dias. 


Depois recebi mais algumas páginas = serviram para me alienar mais ainda.

Fotos Ra Oni
Desse abstrato imaginava dança, apenas dança, suas palavras eram imagens. A música de Heitor Dantas, alguns desenhos iam compor o ambiente...
" Quero me cumprir: a liberdade é espacial."


2 dias antes tive o livro em minhas mãos e passei o dia conversando com &Migracielo, muitas sincronias só que ele me pediu mais palavras ...
 Adaptei  um trecho do meu solo sobre Van Gogh com frases soltas do livro, algumas escolhi, outras apareciam na hora.

": meu segredo é. Etcetera."


 Na madrugada a ideia me parecia ótima, sendo que só teria tempo para essa, pois já já era a apresentação, acabou-se o tempo.

" O desgoverno de uma borboleta ganha um novo rumo a partir de uma lufada enfática de ventania: " 



,,,,,ou seja... 
(((((((improviso de um texto maravilhoso com o escritor presente...

"...quanto a mim faço um bom chimarrão para espantar esses fantasmas..."


Inventei várias coisas que na hora não deu tempo de montar,
 fui como sempre vou, curiosa para ver o resultado do que eu nem sei o que seja: 
palavras tão nobres mereciam um ensaio mais cuidadoso. 

"...ao enigma do meu desejo mas justamente para permanecer sem respostas..."


Mesmo assim me entreguei, primeira vez que teria o escritor presente na performance. Ui!

"Quem é o próximo? perguntou a moça que estava perdida..."


Em arte não existe o erro 
existe a outra coisa que você não imaginava e que acontece
amplia-se e fica-se com dois
o planejado e o que aconteceu...
Não tenho mais tempo de planejar, ultimamente minhas performances são o que acontece.
E essa foi um acontecimento mágico de um livro belíssimo.
Amei! 

Deixo aqui algumas imagens de Ra Oni com trechos do livro recordando esse dia!

"Eu não sabia como entender: era um exame repentino."


"...o teor do seu relato alegórico..."


"Ele disse: a paz mundial é do tempo que cachorro falava com gente!"


"Mas o que é uma palavra?"


"A vantagem é que, por existir sempre a partir de uma consciência reflexiva e autônoma (a do leitor), ela pode chegar ao seu destino sem impor nada, sem proclamar nenhuma verdade ou ideologia: a arte é, em si mesma, o novo já instaurado, o novo já existente." 



"É uma coisa que todo o mundo sabe o que é (é talvez o vórtice do enigma do pulso de um coração) mas que não tem uma única definição, se é que tem alguma. "


"Os rios nunca eram os mesmos: última chamada."

 Mas porque quero fazer de mim uma memória nova?



 
&. Migracielo: Para convergir com o título e não cair em interpretação, creio que o NOVO CORPO AMOROSO trata efetivamente de uma busca por um novo aspecto material - ensaiado e quiçá tornado vislumbrável através do uso poético da linguagem - para a existência real de um devir amoroso em primeira pessoa. Essa palavra, AMOR, sempre me cativou pelo seu aspecto refratário, lençol freático de toda poesia.




Essas duas últimas feitas por Lua Costa, onde estou transcendendo Luz! Love!



Segue o vídeo desse improviso na integra! 
Fotos: Raoni
Ambientação sonora: Edbrass 



Aqui o site do Dominicaos onde se encontra esse e outros livros!
www.dominicaos.com












domingo, 19 de julho de 2015

...conheci Cântico negro de José Régio, na interpretação de Bethânia há 20 anos atrás num LP. Ouvi tanto que decorei e recitei algumas vezes. Resgatei o mesmo no Candomblackaos/Dominicaos 22 mas de improviso. 

Quis aprender tribal para aumentar meu vocabulário gestual e com o tempo percebi que servia para expandir a Voz! Na minha pesquisa do Curso de Formação com Joline Andrade, escolhi o texto Cântico negro, pois combinava com tudo que foi discutido nas aulas. A principio mantive o figurino antigo que era de uma guerreira que paria asas, mas às vésperas tudo se tornou outro... 
Arte-Vida elementos em mutação constante

Foto Leo Ornelas
Nas minhas leituras de Laban encontrei esse trecho lindo e quis focar nos braços, tirei o véu.
( Domínio do Movimento pag. 24 e 25)


Estava numa fase Bethânia, ouvia tanto os Doces Bárbaros que alterei o figurino, era uma vontade de pulseiras, saia longa...


Na coreografia me inspirei nas aves, trabalhei mais a parte superior do corpo e na dança da voz.

 Batizei de Garuda a Ave de Luz deu a essência da dança que apresentei no Dramofone V.

Fotos Andréa Magnoni

Eis o vídeo


DominiCaos

Imagens lindas de um dia maravilhoso! DominiCaos crescendo!
http://www.dominicaos.com/ 

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