terça-feira, 29 de setembro de 2015

Um dia li que na China o nascer do Sol 
era exibido em telões por causa da poluição. 
 O Ver, o Olhar e o Enxergar. 
Neste fotofilme temos uma dançarina presa na sua sombra, reflexo e imagem, tentando renascer com o coração despedaçado, 
retornando à consciência da expansão do seu ser, voltando ao mundo dos vivos. 

Nas entrelinhas o poema
Aqueles mesmos lábios - Bárbara Lia

Eu sou aquela que atravessa bombardeios
O país que escraviza a casa que amordaça
 O rio que afoga e o terraço que aprisiona
Eu sou aquela que salta cercas eletrificadas
 Desvia de minas, rasga a roupa no arame
Que me separa da última estrada
Eu sou aquela que pisa o asfalto ardente
Perde a sola do sapato, a pele dos pés
 A roupa, a água, a comida e nada resta... 
A não ser os ressequidos lábios
Que o rei beijou _um dia_
E a poesia, ainda, ela resta
Ancorada no varal do coração
_ grito que não me abandona _
E depois de nada ter, de não ter nem visão
Nem lágrima, nem saudade, nem força
Nem força para mais um passo
Encontra a fronteira, a terra livre ali 
_ Escancarada _
Faz meia volta.
Esqueceu algo
Esqueceu algo
Esqueceu-se na esquina
De uma primavera inolvidável
E dá as costas à fronteira
E dá as costas à Liberdade
Fantasma de uma Electra ou Diana
Crê _ desesperadamente _
Que vai chegar outra vez
Àquela esquina
À mesma primavera
Para beijar, outra vez,
Aqueles mesmos lábios
Foto André Santanche

 Video


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

... a linguagem alheia 
ou 
personagem meu (ainda sem nome)
ou
coisas que não adiantarão para nada 
ou 
Lispector by Ia 
ou? 
ou! 
ou ...
 

 Apoiado em obras da escritora Clarice Lispector, 
o solo é uma espiral de questionamentos,
 buscas desenfreadas 
em que a eterna interrogação 
é deixada para público...
 Nessa obra mantra,
a busca é de uma presença sensorial extra-humana,
a atriz ou antena parte do livro Paixão segundo GH
navega pelas palavras,
pelo público, questionando, 
expandindo e atrofiando,
 partículas e cosmos.
  É intimista, extremista e infinita, como a própria escritora.
 O personagem ou a antena é um ser de terceira dimensão beirando a quarta, e deste conflito entre o real e o REAL capta nas entrelinhas de Lispector uma saída.
Um Encontro.
 Assim nasce o Texto que é um 
Re-quebrar 
do pensamento lógico, dualista e racional 
predominante nos dias de hoje.
 O cenário é um objeto não identificado, 
na iluminação uma esfera que abriga o personagem em seu percurso, 
uma invocação  aos Círculos, 
geometria simples da qual vibra uma verdadeira existência.
 Em um mundo onde os fatores são externos e as possibilidades superficiais,
este solo, monólogo ou desabafo, 
é um retorno ao Re-ciclar de palavras, sentimentos, atitudes e trajetórias.
 Uma verdadeira Reciclagem Humana...
Fotos Salomé 
"...será ir apenas indo.."
 "Não esquecer que o erro muitas vezes tinha se 
tornado meu caminho."
 "Há três mil anos desvairei-me, 
e o que restaram foram fragmentos fonéticos de mim..."


Agradecimentos eternos ao Teatro Gamboa Nova e sua equipe
http://www.teatrogamboanova.com.br/
e a TVE.



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Jam 
Poket Show - Etno Tribes 
Na minha infância amava breakdance, tentava alguns passos pois era febre na época. Alguém me contou que a dança nasceu junto com a invenção do relógio digital, onde o tempo começou a ser marcado com formas geométricas quadradas ao invés de giros... Pensando na intertemporalidade das coisas, no oscilar das formas e energias, no estar ou não no tempo, nas regras, nos ritmos e formas... criei uma breve dança ou um jogo de teatro no qual brinco com personagens e arquétipos que são ligados pelas ondulações vitais do Tribal. Ativei assim toda uma memória corporal, JAM foi o nome que dei ao experimento.


Fotos Andréa Magnoni










 Shazam!